Porque foi-se
Porque já foi-se o tempo dos homens que embarcavam e por estes mares nunca dantes, navegavam. Mas cair-te-ia bem estas bolachas de marinheiro, porque são de um cerimonial anacronismo. E não só, mas estas são duras como as lindas jóias que te adornam. E eu sei que gostas do sal que as temperam. Apesar de não gostar do mar. Como julgar-te, porém? Se eu continuo nesse mar, é porque sou niilista de virtude. Totalmente destinado a cá navegar. E, assim, já não espero intervenção divina. Pois os planos para mim são apenas o azul. Porque esse é o destino de alguns, mesmo tanto tempo após. E como já me perdi nessas estrelas, foi-se o meu navegar. Agora estou apenas a boiar. Perdido entre mar e céu, indo para tantos lugares iguais. Porque onde quer que essas ondas me levem, só vejo o azul de céu e de mar. Totalmente perdido, pois o mar leva-me para longe do altar.