O Soneto de Maio
No pé do morro, araucárias da serra
E pela estrada eucaliptos plantados
Estes são trazidos de uma outra terra
Por algum dos nossos antepassados
Em Maio os pinhões no chão esparramam
Nos braseiros a lenha a água esquenta
E nas lareiras as grimpas declamam
O chimarrão o coração requenta
Leva-me o mate, volto à primavera
De mãos e coração quentes, libertos
Do frio intenso que corta essa era
E por que de ficarmos descobertos?
Eu sei que esse frio não persevera
Mas faz brancos até os campos abertos
OBS
Qualquer paranaense pronuncia "araucárias" com quatro sílabas, ao invés das "tradicionais" cinco: "a.rau.cá.rias." ao invés de "a.rau.cá.ri.as.". É feito apenas um movimento com a língua, de forma a tornar o "i" é muito fraco e o "as" muito forte.