O Soneto do Atlântico
Atlântico azul, bem grande e salgado
Que escondes para trás de si o Tejo
Por quem inúmeros tem muito entejo
Mas que para o meu povo é sagrado
Por te vencermos que cá pude estar
Tendo desse lado uma nata terra
A qual crescemos de espólios de guerra
História que esta estava a gestar
Foi pela tua grandiosidade
Que ficaram as noivas por casar
Com estes que em ti pereceram, mar
Por ti mães nomearam nossa saudade
E em vão ficaram filhos a rezar
Pois tua glória escolhemos amar
OBS
É relevante citar as claras referências a "Mar Português", de Fernando Pessoa (já domínio público):
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.